domingo, outubro 08, 2006

Constipação

Tenho uma grande constipação,
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.
Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.
Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina.
Fernando Pessoa
E este é um retrato fiel dos últimos dias... de uma constipação mais curada a teimosia e a vontade de sair da cama do que a medicamentos... A primeira deste Inverno, e espero que a última, para bem de quem convive comigo... as dificuldades em aturar uma Nandita engripada são muito maiores do que as de aturar a Nandita versão standard...
Um grande atchim para vocês ;)

sexta-feira, setembro 29, 2006

Choro


Devolvo-te ao teu corpo num beijo. Desperto a tua alma por aquecer os teus lábios… Sopro-te no pescoço, acaricio a tua pele…

Mas perco-me na loucura do que sei impossível.
Levanto-te em braços na força do meu desespero.
Chamo-te, beijo-te, suplico.
Mas a gravidade cola-te ao chão, não te deixa abrir os olhos, esboçar sequer um sorriso. Porque não te mexes? Que é da tua voz, do teu passo? Para onde fugiste?
Colo-me ao que resta de ti, protejo-o como algo sagrado, imaterial, mas já não és mais que pó, vapor, sangue… frio, mudo, quieto.
Ergo olhos ao céu, a um Deus que não me existe. Peço-te a ele, a tua alma, que ma devolva. Com um beijo, um sopro, um toque… mais poderosos do que os meus. Sou só um Homem, não posso nada.

Mas não há resposta, e abraço-te enquanto te choro.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Sinto que lá fora, na noite, já faz frio. E arrepio-me pelo prazer esperado do contacto com o relento.
Saio à varanda. A cidade dorme, como se espera, a esta hora. Só um ou outro carro desce a avenida, e corta o silêncio murmurante. Há pontos luminosos que desenham os contornos da cidade, como um quadro de Seurat, vivo, nocturno, a exibir-se a meus olhos.
O ar frio sabe-me bem na pele, arrefece-me o sangue. Depois da lassidão do tempo quente, sabe bem este despertar violento para a vida, a minha, em banho-maria há meses. Há sensações e pensamentos difusos a tomar forma, a ganhar contornos mais definidos.
Sorrio. A minha vida tem os contornos desta cidade… mas os meus pontinhos brilham mais timidamente.
Ajeito a camisola contra o pescoço, tudo o que nos acorda também consegue ser desconfortável. Mas estou bem aqui, sinto-me lúcida… e viva!
Não sei o que resulta de momentos assim, de introspecção a frio. Nunca há nada definitivo nas minhas decisões, há apenas a sensação de que afinal sei quem sou, e sei que sou capaz de enfrentar o Mundo… erguendo alto as minhas convicções e até as minhas incertezas, como parte integrante e orgulhosa de mim!
Sim, eu sei quem sou…

quarta-feira, setembro 06, 2006

Viagens

Entro no autocarro e escolho um lugar. Invariavelmente atrás. Invariavelmente à janela.
Foi mais um dia cheio, de aulas, de risos, de minutos leves. Mas estou cansada. Preciso de me ouvir a mim, para lá das gargalhadas e das questões anatómicas e histológicas.
Repito para isso gestos diários. Procuro o leitor, ajeito os auscultadores, recosto-me mais no meu lugar… e observo.

O leitor vai debitando sons, os meus, mais alternativos, mais pop, consoante os dias, mas sempre algo que me acalme.
Hoje é ao som de "Come into my heart" que passo pelo complexo desportivo, e posso ver, em todo o seu esplendor, o recorte das duas serras, ao pôr do sol. Marão e Alvão confundem-se na sua junção, vistas daqui. E os raios de um laranja muito vermelho que os encimam dão ares diferentes às nuvens de fim de tarde.
Desço a estrada para Vilanova já dentro de outras melodias. O desespero rasgado de "Bliss" agita de forma diferente as folhas das árvores que ladeiam a estrada, e só deixam adivinhar o pasto junto ao rio. É fim de tarde, até a paz me soa diferente.
Hoje a volta é grande. Passo em Mateus. "Bonita" faz-me cócegas nos ouvidos, como uma língua que beija. E à minha frente estendem-se vinhas baixas, uma semi-encosta de quinta, que me faz sonhar com um futuro próximo, de trabalho junto do que gosto.
Viramos para Abambres. Sorrio mentalmente à lembrança do ditado em tempos de praxe, quando nos punham a cantar que o ar de Abambres fazia as ditas mais grandes. Já são menos os meus companheiros de viagem, a noite já vem próxima. Há Damien Rice a falar pertinho de mim… "stones tought me to fly, life tought me to die"… e apetece-me sorrir para a miudinha que vai agora sair, de mãos dadas com o pai.
O autocarro já vai entrando de novo na cidade. Observo o militar à porta do Regimento, em pose rígida, severa, perdendo as horas sabe Deus em que função protocolar. Também tenho dias assim…
Entramos ao bairro de S. Vicente de Paula, já caiu a noite e só vejo as luzes penduradas prédios acima, famílias que se juntam à hora sagrada do jantar. Para os lados de Lordelo, todas as casas são pontos brilhantes, e estendem-se até ao sopé do Alvão.
Campo de futebol, cadeia, Igreja… os vinte minutos de uma viagem passaram depressa, estou à porta de casa. Já corre um arzinho mais frio, e volto a apertar o casaco. Passo o túnel a dançar ao ritmo de "Our hearts will beat as one", para espanto dos vizinhos por quem passo.

E estou em casa… Pronta para as novidades do resto da minha família em ponto pequeno.


(Homenagem ao 1, o autocarro fiel das minhas viagens de fim de tarde no último ano)

domingo, agosto 27, 2006

Sacudir a toalha...

Sacudo a toalha
E espalho ao vento pequenos pontos brilhantes.
Com a areia vão todos os segundos, os momentos daquela tarde de praia.
A areia era quente, a água gelada e límpida, o teu corpo um cais seguro...
Olhas-me com olhos de miúdo, olhos em ponto de interrogação. E ris... e fazes-me rir!
O tempo passa a correr quando não sentimos o sol, nem o vento... só aquele quadrado de areia em que estendemos toalhas e deixamos os minutos contar.
Mas agora sacudo a toalha... se calhar o Verão acabou um pouquinho, ao acabar esta tarde.
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Olho os pontos que se espalham no ar, voltam à areia de onde os agarrei... levo alguns na pele, junto com o sal da água e do teu beijo.
.
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E trago toda a praia comigo...

sábado, agosto 12, 2006

Mulheres

Vão pelo caminho romano, ladeado de silvas e cardos roxos. Lenços, chapéus de abas largas, a saia e o avental muito pretos, tão pretos como a saudade...
Levam sachola, balde, pão e vinho para quando a fome apertar e as gargantas secarem.
Caiu a noite há pouco.
Cantam


Se fores à erva, vai ao Valadinho...
No rosto, estão marcadas muitas mais modinhas, a cantiga dos dias de trabalho de sol a sol, o entoar dos cânticos de Igreja, misturados com a realidade de trabalhar a terra...
Tomai e recebei, as horas do meu dia
Alegrias e dores, penas e trabalhos...
São as mulheres que passam para o campo.
São as minhas avós, semente e terra da vida dos meus pais, eco intemporal que me chega agora, ao anoitecer, nessa hora antiga de saídas para a rega, para uma noite inteira de trabalho ao luar.
São a fibra de que os meus pais me fizeram, a parte de mim que chora quando tem de partir, sair das leiras verdes, abandonar a vinha e os campos de milho de uma infância que não podia ter sido mais feliz.
Já não nos acompanham nos trabalhos do campo, já partiram a dar graças ao Senhor que sempre acreditaram em vida. Mas olham por nós, continuam a velar pelos que cá ficaram.
Não sei porquê, mas sei que sim.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Cabeça cheia \ Cabeça vazia

Há qualquer coisa no tempo de férias que me desassossega. Neste tempo em que é suposto não pensar em nada sério, como o caso de empregos, aulas, exames, livros, em que deviamos andar de cabeça leve...
... há qualquer coisa de difuso que me enche a cabeça. Um zumbido constante de uma preocupação que eu sinto que DEVIA ter, mas não tenho, de horas certas que eu DEVIA seguir, mas que ignoro, de coisas inadiáveis que DEVIA cumprir, mas que deixo arrastar...
Não é certa ainda esta teoria, mas começo a achar que o nosso cérebro, que fervilha durante todo um ano de compromissos e prazos, chega ao fim de Julho, quando devia desligar, e não consegue. Como uma máquina que sobreaqueceu e na qual os botões deixaram de funcionar! Como se a lei da inércia se aplicasse também aos processos mentais...
Talvez este meu princípio de teoria seja um sinal de como o calor que entra pela janela me anda a afectar. Mas também não quero saber... e o cérebro continua ocupado com tanta coisa, que porei mais esta em lista de espera!

Desliga, cabeça... e deixa-me descansar só um pouco!

terça-feira, agosto 01, 2006

Não




Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar... Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...
Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Álvaro de Campos
(leituras deliciosas em tempo de férias...)

sábado, julho 29, 2006

Espelho

-Olha-me nos olhos… o que vês?
- Vejo céus que se continuam com a terra, o verde que toca o azul...
- Que mais?
- Vejo que eles procuram um outro céu, anseiam outra terra. São como dois pássaros presos, que só esperam o dia de voltar ao espaço absoluto…
- Esperam?
- …E sabem que esse dia vai chegar, mas estão cansados do cativeiro, não pertencem aí... Vejo saudades de regressar a casa, uma vontade infinita!
- Vês tudo isso nos meus olhos?

- Não… vejo tudo isso na tua alma…

domingo, julho 23, 2006

Esmagamento

Procurávamos um sítio para tomar banho, uma qualquer clareira apetecível em tempo quente. À última da hora, planos feitos em cima do joelho, lembrámo-nos das Fisgas, perdidas no meio do Alvão.
"Siga para as cascatas!" Bebidas e comida espalhadas no banco de trás, e fomos de viagem...
O que é certo é que nem molhámos os pés. Não chegámos perto da água. Não nadámos, nem sequer apanhámos banhos de Sol...
Mas aquela paisagem...
De um lado as cascatas, a martelar na paisagem granítica até lá abaixo... e do outro, o esmagamento.
Uma paisagem toda ela ar e pedra, a sufocar enquanto liberta. E o Sol quase a por-se... e o vento a fazer festas no cabelo. Andava uma águia lá em cima, de certezinha...
Não sentia o mesmo desde que me tinha perdido pelas aldeiazinhas da Régua, já lá vão tantos anos...
Estivemos lá quanto tempo? Não sei... mas foi o tempo de um silêncio em paz, de conversas banais que faziam todo o sentido ali, sentados nas rochas a que tinhamos trepado.
Foi uma tarde que me marcou. Não pelo que dissemos, mas por estar num sítio onde me sentia ao mesmo tempo livre e dominada pelos elementos, capaz de tudo e ao mesmo tempo tão frágil, tão eu...
Regresso a casa já de noite, a serpentear pela estradinha de alcatrão. Terras pequenas, encaixadas na montanha, onde apetece voltar, ficar, perder-me...
É bom ter-te ao meu lado, e sentir-me igual, compreendida. A amizade não tem preço, mas a tua vale milhões... fica a vontade de regressar!
Tempo de férias dá nisto!

domingo, julho 16, 2006

Mar

Hoje estive na praia... Já sem o calor das horas proibidas, o sol ia lambendo a areia, enquanto as ondas rebentavam na praia, cheias do sargaço de Carreço. Estava-se bem, até mesmo a minha "Bikini-fobia" estava controlada, e apetecia ir tostando ali, ao lado das rochas.
Estive bem, esta tarde... e o mais apetecível era aquele chamamento do mar, aquele marulhar baixinho e luminoso. Apetecia adormecer no mar, depois das ondas frias me baterem nas pernas e da água me picar os olhos e deixar um gosto a sal na língua.
Voltei a casa com novas coragens, o tipo de resoluções que se tomam no Ano Novo, mas abençoadas pela água fria da praia...



(tinha saudades de postar qualquer coisa... e as coisas banais também são parte da vida... pelo menos da minha.)

sexta-feira, junho 30, 2006

Summer comes...

Entrou o Verão, e de alguma forma a paz que eu previa... Continuam os exames, continua a vida (sim, o Mundo gira..), mas agora com uma calma que não conhecia há uns bons meses.
Falta pouco para as férias verdadeiras, a praia, o Sol sem preocupações... mas também para uma saudade grande daquilo que foram estes meses aqui, escondida atrás do Sol nascente.
Volto, com toda a certeza, em Setembro, com vontade de viver mais e melhor... e de conhecer de novo esta terra que também é minha, que me entrou no coração.
Obrigada a quem conheci, obrigada a quem amei, obrigada às lágrimas que chorei e que foram chuva fértil nesta terra quente... foram vocês que me fizeram o que sou agora...
E voltam-me à memória os sons e a voz da "Summer will Bring U over"... toda a nostalgia de um Verão que ainda nem começou... summer will bring u over, we will stay forever... em qualquer praia ou lugar, com os amigos que me enchem o coração...

domingo, junho 25, 2006

Nas palmas das minhas mãos

Uma chávena de leite morno, e uma mão-cheia de biscoitos de chocolate...
... E parece-me ter o Mundo a aquecer nas palmas das minhas mãos.
Será que vem aí o dia quente e confortável que espero há meses?




(São só devaneios em tempo quente...)

domingo, junho 18, 2006

De como crescemos de cada vez que nos magoam

(Nem tudo aqui exprime a minha opinião séria e racional. É apenas um devaneio de quem também se deixa levar pelas emoções. O ser Humano recusa por tendência a dor, embora saiba que tem de passar por ela.)
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Há dias em que a saudade de ser criança é demasiada para se aguentar. Pode parecer demasiado Pessoano, mas não deixa de ser verdade. Aqueles dias em que a responsabilidade máxima era não sujar demasiado a saia nova, ou em que o mais doloroso que nos podiam fazer era chamar-nos feios ou caixa-de-óculos, luzem acima de nós como lembranças de despreocupação e felicidade máximas.
Mas hoje, no mundo real (dolorosamente palpável), não há irmão mais velho que me proteja do gozo dos outros meninos, não há mãe que me cure as feridas com muita tintura de iodo, em desenhos de flores espalhados por toda a perna. Estão longe, no tempo e na distância.
Agora dói a sério, cada golpada, cada ferida.
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Magoaram-me, confesso. Muito, demais em pouco tempo. Os Homens, os Deuses, o Destino. Em poucos meses, parece que veio um tornado e virou a minha vida do avesso. Namorado, amigos, família, muitas mudanças… e a maior parte dolorosas e definitivas.
Mas, ao que parece, é isto que nos faz crescer. A dor é um adubo, puxa por nós, obriga-nos a crescer. Mas este ganhar de raízes mexe comigo.
O principal não é o lado exterior e estereofónico da dor. O choque, a surpresa, o choro, a raiva… passam todos, o tempo apaga-os. Mas a dor de dentro, difusa, fininha, a moer… essa custa mais. É essa que deixa marcas, como novos ramos deixam nós na árvore mãe.

Há um lado em mim que continua a chorar baixinho, mesmo agora que a dor exterior assentou.
O processo é lento, pesado. E assim aprendemos a ser mais atentos, a ser mais desconfiados, mais frios, mais distantes… mais adultos!
Passar para o mundo “dos grandes” é basicamente perder a espontaneidade e a confiança nos outros. Nunca sabemos quem nos pode atingir, ou quem se vai tornar nosso aliado… não se pode arriscar.
Magoaram-me, sim… e eu só quero voltar atrás, fugir do que é real e tão feio… voltar às corridas e aos jogos e aos bichos apanhados no meio do quintal. Cresci, e só quero ser pequenina de novo…
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Crescer por dentro é desiludir a criança que trazemos agarrada a nós.

sexta-feira, junho 09, 2006

Quanto basta

Não foi mais do que um abraço, um beijo no ombro, um sinal de “estou aqui, podes disparatar à vontade”… foi quanto bastou para as lágrimas correrem, para despejar as minhas dores, as minhas incertezas, o medo que trazia de casa, escondido, a formar uma bola no peito.
Tentavas distrair-me, com coisas do quotidiano, mas estava sempre lá qualquer coisa, a moer, a causar-me um cansaço de tudo, um pressentimento, a doer baixinho…
Era meia-noite, e do outro lado da linha confirmavam-me o que eu não queria saber, mas já sabia.
E tu estavas lá, em silêncio. Deixaste-me chorar, sofrer para mim… e depois abraçaste-me.
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Com força...
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Muitas vezes é quanto basta.

terça-feira, maio 23, 2006

À meia luz...

É à meia luz que os corpos se despem de medos, de perguntas... de roupas...
Na mistura de corpos o único tecido que se pede, e se dá, é a pele...
Trocam-se mimos, aquece-se o vazio da alma em momentos partilhados com quem sofre como nós...
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E depois...
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Levantam-se as cortinas!
Sente-se o sol de mais um dia entrar pela janela, entrar por nós...
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E o Mundo continua a girar, sem fazer perguntas...

segunda-feira, maio 15, 2006

Sem mais contos de embalar...


Em tão pouco tempo, é incrível como a tua presença deu a volta à minha vida...
De mansinho, encantador, abriste as portas de todo um mundo, abriste-me os olhos...
Depois fizeste jus à tua alma de furacão... as decisões e as indecisões mexeram fundo na minha vida, mas infelizmente não mudaram o que sinto.
Só quero agradecer, pela frontalidade. Tardou, mas chegou... e foste sincero.

Preciso de continuar, agora... sem mais contos de embalar...
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domingo, abril 30, 2006

Azul saudade...

Hoje olhei-me ao espelho, acto reflexo, natural...
E reparei que os meus olhos deixaram de ser verdes...
-
Estão azuis, de um azul saudade...

sexta-feira, abril 21, 2006

...

Hold Still
.
.

In this little town
cars they don't slow down
The lonely people here
They throw lonely stares
Into their lonely hearts
I watch the traffic lights
.
I drift on Christmas nights
I wanna set it straight
I wanna make it right
But girl you're so far away
.
Oh, hold still for a moment and I'll find you
I'm so close, I'm just a small step behind you girl
And I could hold you if you just stood still
.
I jaywalk through this town
I drop leaves on the ground
But lonely people here
Just gaze their eyes on air
And miss the autumn roar
.
I roam through traffic lights
I fade through Christmas nights
I wanna set it straight
I wanna make it right
But man you're so far away
.
Oh, I'll hold still for a moment so you'll find me
You're so close, I can feel you all around me boy
I know you're somewhere out there
I know you're somewhere out there
.
Oh, hold still for a moment and I'll find you
You're so close, I can feel you all around me
And I could hold you if you just stood still
.
Oh, I'll hold still for a moment so you'll find me
I'm so close, I'm just a small step behind you
I know you're somewhere out there
I know you're somewhere out there
I know you're somewhere out there
..
.

Obrigado David...

quarta-feira, março 29, 2006

Amanhã começo...

Às vezes, não olhamos bem em nossa volta, quando andamos na rua… E eu começo a achar que tenho perdido pormenores importantes! As imagens fotográficas da realidade quotidiana tornaram-se uma parte querida das minhas memórias mais antigas. Agora pareço querer barrar a entrada a novas imagens.

Deve ser coisa da idade, mas ultimamente dou por mim a caminhar de olhos no chão… concentrada em desenhos geométricos e restos de pastilhas elásticas, como se o Mundo pudesse acabar, por eu não os olhar devidamente. Pareço ridícula? Pareço-me ridícula…

Há uns tempos defini-me como anti-social. É um termo como qualquer outro, com a sua dose de imprecisão, mas o rótulo caiu-me por terra quando alguém achou que eu “tenho jeito para lidar com as pessoas”… Começo a achar estranha esta contradição, entre aquilo que eu me sinto, e aquilo que as pessoas me acham…

Sou anti-social, embora não saiba o que significa isso em termos absolutos. Sou anti-social pela minha tendência em evitar os outros. Só! Tenho medo de entrar sozinha num autocarro, de perguntar a alguém o caminho mais curto, de chamar o empregado de café… Assusta-me falar com quem não conheço, na minha cabeça todos me observam de cima a baixo e me julgam, em dois segundos!

Mas não… eu tenho “jeito” com as pessoas. Qual jeito? O jeito de conseguir trocar duas palavras e um sorriso com as pessoas que conheço? Isso não é mais do que o mínimo e indispensável… Se, à partida, conheço a reacção de quem me está a ouvir, não me sinto minimamente constrangida…

O meu problema é com o Mundo, não com a minha aldeia!

Deve vir daí a minha nova tendência de caminhar de olhos no chão. Raio de medo de enfrentar o Mundo! É algo que eu estou a tentar contrariar.

Hoje, aproveitei o facto de ir sozinha, numa cidade que é quase fantasma aos domingos, para olhar em volta. E senti saudades… pela senhora que andava no jardim a arrancar ervas, pelo homem que ia ensinar a filha a andar de bicicleta, pelos miúdos que se juntavam ao sol, em bandos, pelos velhotes que jogavam a sueca no café…

Saudades de quê? Não sei, saudades de outras imagens, aquelas que entravam em magotes pela alma: magustos intermináveis, com todos os homens a jogar as cartas, a minha mãe, sempre em cuidado com as suas flores, a minha primeira bicicleta, uma geringonça que se desmontava sozinha, as saídas de casa para ir sabia Deus aonde, no banco de trás, a conhecer o mundo pela voz do meu pai…

Talvez o meu caminho desta tarde me tenha ajudado a ganhar coragem. Se eu não tinha medo naqueles dias, guiada pela sabedoria dos meus pais, porque é que vou começar a tê-lo agora, que me posso guiar pelas minhas descobertas, pelas minhas experiências?

Amanhã começo…

domingo, março 05, 2006

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Manias... by Nandita

Bem, a impressaodigital meteu-me em trabalhos ;) Aqui ficam as minhas 5 manias:

----> Mania de tirar a pelezinha de cima do leite (mesmo que ela não exista)
----> Mania de implicar com as pessoas de quem gosto
----> Mania de ser despistada ao ponto de não perceber o que se passa com as pessoas que me rodeiam
----> Mania de me achar sempre miserável (passe o coitadismo)
----> Mania de tentar dizer piadolas...



Ok, a minha parte está feita... agora passo a batata a estes cinco:

João Morais
Inês Pinto
Juliana (presideeeeeeeeeeinta)
_Eagle_
Malta do "Mas Qual é a Ideia?"

Os links estão aqui ao lado...
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As regras estão aqui em baixo:
Regras:"Cada blogger nomeado tem de enumerar cinco manias suas, hábitos pessoais que os diferenciem do comum dos mortais.E além de tornar público o conhecimento dessas particularidades, terão de nomear cinco outros bloggers para participarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs, aviso do "recrutamento". Além disso cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blog."

domingo, fevereiro 05, 2006

Saramago



"Saberemos cada vez menos o que é um ser humano"
Livro das Previsões
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Assim "começa" Saramago o seu mais recente "As Intermitências da Morte"... Confesso que gostei, como tem vindo a ser hábito, do novo livro... mas esta coisa da morte deixar de funcionar deixou-me com macaquinhos na cabeça...

domingo, janeiro 22, 2006

Vila Real com concerto em grande

Ontem lá fui eu, ver o concerto do David Fonseca... fica aqui o testemunho ;)

O Grande Auditório do Teatro de Vila Real estava praticamente cheio para acolher mais um concerto do David Fonseca. Gente de todas as idades, desde miúdos a bater palmas freneticamente, a velhotas da “alta sociedade”…
Depois de um jantar “a correr” no Dolce Vita, com a Irene, a Magda (coitadas, o que elas me aturaram durante o concerto…) e o Bruno, lá fomos para o Teatro. Primeira fila, privilégio de poucos!
À hora marcada, abrem-se as cortinas e ouvem-se os primeiros sons de um concerto que havia de durar quase duas horas: “Lo_ove burns”, não era a canção de abertura que eu esperava, mas revelou-se um bom começo… nos cantos do palco duas grandes árvores pintadas em cartão, a lembrar os cenários das peças de teatro da primária. David Fonseca surge como uma espécie de mago de casaco cinza, a transformar as duas horas de concerto em pura magia…
Antes de atacar a “Swim”, pára tudo, e explica que a canção surgiu ao ouvir uma canção de Elvis Presley… trauteia o refrão, e segue com a canção.
Durante o resto do concerto fez o mesmo, sempre com grande empatia para com e do público… Falou de Vila Real, das paisagens transmontanas (risota geral do público, onde o tio David vê montanhas lindas, o resto do mundo vê os perigos do IP4…).

Antes do primeiro single, começo a ouvir uns sons que me são familiares, no entanto não são nem de Silence 4, nem de David Fonseca… surpresa e agrado meus quando reconheço “Song to the Siren”, arrepiante e perfeitamente harmonizada como introdução da “Who are u?”.
O alinhamento não é coisa que me fique na cabeça, devo confessar… ficam-me gravados na memória os ritmos, a energia em palco, a conversa constante com o público…
Antes da “Longest Road”, senta-se, como é habitual, em frente ao público e fala directamente com a senhora à sua frente. “Assustador, não é?” e explica que um dos seus medos nos espectáculos de magia era ser chamado ao palco… “é que, sabem, sou muito tímido!” e mais gargalhadas no público. Durante a canção revela-se o verdadeiro mágico: ao inicio apenas acompanhado da guitarra, vai apontando um a um os membros da banda, ate todos o acompanharem. Em termos cénicos, torna-se deveras interessante!
Por entre uma cover que não consegui reconhecer (ajudem-me se estiveram lá), vai desfiando mais conversa… e explica de onde surgiu a “Open legs wide”. Impossível de imaginar por mim, surgiu de uma máquina de ritmos comprada no E-bay, que tem um ritmozinho irritante chamado western e que lhe inspirava o bater de cascos de cavalos… Imita-o, depois relincha (ai ai), confessa que passou horas a ouvir esse ritmozinho irritante (“há pessoas que ao fim de semana vão aos centros comerciais, fazem umas compras… eu faço isto!”) e a “Open legs wide” ganha toda uma nova dimensão para mim eheheh
Por entre as canções do novo álbum (interpretação super enérgica de “Our Hearts Will Beat as One”), aparecem temas como “To Give”, “Angel Song”… e os temas que já tinha ouvido em Ponte de Lima, “The 80’s” (precedida daquela canção conhecidissma do “dah, dah, dah…” que agora aparece na publicidade do Maxicrédito eheheh, de chapéu no alto da cabeça e o público a acompanhar! Mais uma vez, não sei o nome da canção… ajudem-me ;) ), “Someone That Cannot Love”, “U make me believe”, “Sing me Something New” na despedida…
Antes de cantar “Hold Still”, tão bem acompanhado pela Ritinha, explica que foi buscar inspiração a duetos marcantes… e exemplifica! Um falsete estranhíssimo, que volta a deixar o publico de sorriso no canto da boca.
O concerto acabou por passar a correr… e o fim não foi fim… Encore, volta todo o mundo, mais três canções… e quando todo o mundo pensa que ele não volta, eis que o senhor David volta sozinho, senta-se em frente ao órgão… e continua a conversar.
Segundo ele, começou a ter aulas de piano, corrige, de órgão (“que só pelo nome arrepia”) muito pequeno, porque queria ter alguma coisa com que fazer barulho em casa… a grande decepção foi ter um ano inteiro de solfejo, David solfeja, o publico ri, e ri ainda mais quando ele se lembra de falar de Eurico A. Cebolo e do seu “Órgão mágico”…Explica que as canções que aprendeu nesses anos eram perfeitamente inúteis, pelo menos ate agora, porque pela primeira vez vai tocar em público alguma das coisas que aprendeu, … e toca uma daquelas modinhas populares. Mais gargalhadas, David sente que tirou “um peso das costas” e continua com o espectáculo.
Sozinho, ao órgão, com uma canção rabiscada à mão, resgatada da Net momentos antes, prepara-se para, segundo ele “tentar tocar” a “I drove all night” do Roy Orbison… justifica-se: “se uma senhora chamada Celine Dion já fez uma versão… ela destruiu, eu vou tentar edificar!” O verdadeiro sucesso!
Há ainda tempo para a cover dos Roxy Music, “Let´s stick together”, para apresentar e aplaudir os músicos que o acompanham… e acaba por aqui! Duas horas que passaram a correr…
Foi um concerto verdadeiramente enérgico, com uma aceitação entusiasta por parte do público… e notava-se que era um trabalho mostrado com prazer, e sempre com muito respeito pelo público. Foi muito bom!

Cá fora, a maior parte do público já vai saindo quando passa o David. O Bruno disse-me que ele parava a falar com o espectadores, por isso ganhei coragem e acabei por lá ir, é muito estranho falar cara-a-cara com alguém que admiramos… beijinho, parabéns… e ao falar-lhe de um e-mail que enviei(com conselhos sobre o IP4), acabo por ser apanhada de surpresa… “chamas-te… Fernanda… a Nandita do fórum, não é?” Bem, no meio de todo o mundo que circula no fórum, é agradável ver o nosso nome reconhecido ;) lá ficou o autógrafo para a Nandita e não para a Fernanda!
Diz-me que ainda estão a fazer a agenda para este ano, que é possível ainda vir a Viana, volto a dar os parabéns, mais beijinhos, e acaba por dizer que ainda há-de participar activamente no Fórum (eheheh, promessas, ele diz isso a toda a gente…)

Bem, fica aqui a review do concerto de ontem, não deve diferir em muito dos outros concertos da tournée… e daquilo que eu me tenha esquecido avisem, que corrijo ;)

sábado, dezembro 31, 2005

Balanço

Este foi um ano cheio, tenho de o reconhecer!
Um ano em que tomei novas responsabilidades (exames... exames...), em que me diverti como nunca na AE e com as pessoas de quem gosto, em que conheci carradas de gente e ganhei bons amigos, em que tive mais do que nunca a certeza daquilo que sinto...
Também o ano de abertura de uma nova etapa... conhecer o mundo universitário, sofrer com a praxe e sentir-me integrada, correr pelas ruas vestida de homem (Carnaval) e de elefante (Latada), no fundo, coisas muito parecidas...
Foi também um ano de algumas partidas (a minha tia, a mãe da Vânia...), de algumas decepções... mas também de uma nova força para enfrentar a vida e os anos que aí vêm!

Obrigada aos que me fizeram crescer enquanto pessoa, obrigada às pessoas verdadeiras que conheci... BOM ANO DE 2006!

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Votos natalícios e histórias estranhas...

Pois é, este cantinho tem sido deixado ao abandono aqui pela responsável... mas a vida (e as fracas ligações de net) comandam outros trabalhos...
Hoje, além dos votos de que o natal de quem me visita tenha sido muito feliz, deixo a história do meu passado dia 13... uma data a não esquecer!
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A estudante de Medicina Veterinária acordou bem disposta. Por já não ter Zoologia às 8 da manhã, podia dar-se ao luxo de preguiçar um pouco mais antes de sair para a Universidade. Apanhou o autocarro no sítio de sempre, com a mochila carregada de material para a aula de dissecação.
Eram 10 horas, e junto ao laboratório de Anatomia, toda a turma estava a "equipar-se": bata, avental, luvas, manguitos… Tudo e mais alguma coisa para trabalhar nas duas horas seguintes. Uma das colegas da estudante de Medicina Veterinária lembra-lhe que tem no carro uma encomenda para si, três ou quatros cremes hidratantes, como ela lhe pedira.
A aula corre normalmente, e o tempo passa com bastante facilidade. Fim da aula, a estudante atira para a mochila toda a tralha que tinha espalhado pela mesa, e sai para tirar a bata. Entretanto, a colega vai buscar as suas encomendas e entrega-lhas. Com isto, a estudante acaba por ser das últimas pessoas a sair do laboratório e a subir as escadinhas que dão para o átrio. A dar uma olhadela ao saco das encomendas, tira um dos cremes, para cheirar. Atrás de si (pensa ela), vem o Zé, um dos colegas de turma.
Acto reflexo, a estudante abre o frasco, aproxima-o da cara da pessoa que vem um pouco atrás de si, e diz "Cheira!"…. E agora vem a parte má: atrás de si não está o Zé, mas sim o professor da aula prática a que acaba de assistir. Completamente estupefacto, o professor está à espera de uma justificação, e compreende que foi confundido com outra pessoa. Nenhum problema, fora a vergonha da estudante de Medicina Veterinária, que começa a pensar de si para si que chumbou à cadeira.
Inicio de tarde: a estudante dirige-se à cantina, com outros colegas, para almoçar. A meio do almoço, por sinal mau como sempre, e por um golpe de cotovelo seguido de estranhos malabarismos, a faca que tinha na mão (cheia de molho de qualquer coisa) salta e, ao cair, enfia-se completamente dentro da manga da camisola da estudante. Risos gerais, e os colegas começam a desconfiar que a estudante anda a roubar talheres na cantina.
Mangas limpas, a estudante vai para a biblioteca com os colegas. Precisam de estudar para a frequência do dia seguinte. Mais uma vez, o tempo passa a voar e, quando dão por eles, está na hora de mais uma aula. A estudante vai à frente e abre a porta da salinha de estudo… com um estrondo enorme! A porta bate violentamente contra a parede, e o ruído do ferro contra o mármore põe toda a gente que estava na sala a olhar para ela… e os colegas a morrer de vergonha…
Fim da tarde, mais um dia de aulas cumprido. A estudante dirige-se para a paragem, com um dos seus colegas de apartamento. Na paragem está outra colega, que espera o mesmo autocarro. No meio da conversa, a estudante vê claramente que duas outras colegas chegaram à paragem e estão a consultar os horários. Numa tentativa de simpatia, deixa escapar um "… e as meninas, para onde vão???" de resultados desastrosos, porque as raparigas eram tudo menos suas colegas, não a conheciam de lado nenhum e olham-na de forma estranha. Engano desfeito, a estudante entra no autocarro a morrer de vergonha…
Basicamente, este foi o dia azarado da estudante de Medicina Veterinária, que por sinal sou eu, na passada terça-feira, 13 de Dezembro… um dia que me pôs a acreditar em todas e quaisquer superstições sobre o número 13.

Resta acrescentar que nesse dia foi a minha vez de cozinhar… imaginem o resultado!
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E é isso... BOAS PASSAGENS, MINHA GENTE!

domingo, novembro 20, 2005

Demónios interiores


Uma pergunta feita anteontem deixou-me uma canção a balouçar na cabeça... Fica aqui, na minha despedida de fim de semana. Letra de Carlos Tê para música e voz do Jorge Palma.
E só posso dizer: RTP esta é para ti! :)



Demónios interiores

Sentei à minha mesa
os meus demónios interiores
falei-lhes com franqueza
dos meus piores temores

tratei-os com carinho
pus jarra de flores
abri o melhor vinho
trouxe amêndoas e licores
chamei-os pelo nome
quebrei a etiqueta
matei-lhes a sede e a fome
dei-lhes cabo da dieta
conheci bem cada um
pus de lado toda a farsa
abri a minha alma
como se fosse um comparsa
E no fim, já bem bebidos
demos abraços fraternos
saíram de mansinho
aos primeiros alvores
de copos bem erguidos
brindámos aos infernos
fizeram-se ao caminho
sem mágoas nem rancores
Adeus, foi um prazer!
disseram a cantar
mantém a mesa posta
porque havemos de voltar...

Eu sei que isto pode não responder satisfatoriamente, mas é o que eu tento fazer através do que escrevo... Beijo e boa semana a todos os visitantes ;)

Nandita on tour

sexta-feira, novembro 18, 2005

Fragmentos

E no meu sonho havia uma praia. A rebentação das ondas era suave e o mar, tingido que era de azul profundo, tornava-se branco a meus pés.
Não sei onde estava, mas sentia que aquilo era o limbo.
Atrás de mim abria-se um bosque, o que tornava o meu cenário ainda mais irreal. Era escuro, ondulante, mas convidativo. As heras entrelaçavam-se nos carvalhos e nos pequenos ciprestes e eu conseguia ouvir o chamamento das velhas árvores, onde se refugiam os esquilos e os bufos.
Senti-me tentada a avançar pelo bosque, para poder percorrer os seus trilhos, que adivinhava cobertos de musgo, mas havia qualquer coisa no canto das águas que não me deixava sequer mover.
Só então é que vi. À praia chegavam pequenos objectos, como destroços de alguma velha nau. Eram velhas fotografias de cores esbatidas, bonecas, roupas, cartas… a imagem e o cheiro de todos os lugares onde passei, das pessoas que conheci! Cravavam-se na areia, cobriam toda a praia, rodeavam-me, lambiam-me os pés. Todo o meu passado estava ali, e eu estava vazia.
Como num acto de desespero, tentei recolher esses fragmentos, protegê-los da rebentação. Como a areia onde se enterravam, eles perdiam-se de novo por entre as minhas mãos, escapavam-se e enterravam-se ainda mais fundo.
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E agora, como avançar para o futuro se o passado se perdeu?

domingo, outubro 09, 2005

O Orgulho da UTAD somos nós!

Duas semanas de aulas, duas semanas de praxe...
Ando cansada, com dores em musculos que eu nem sabia ter... mas vale mesmo a pena! Pelos doutores fixolas que encontramos, pelos desconhecidos que se transformam em companheiros de sofrimento e amigos... por ficar a conhecer melhor toda a cidade.
Estar longe de casa, do namorado, dos amigos, do cão, do gato, dos vizinhos é duro, e a saudade vai existir sempre, mas temos vivido momentos fantásticos!

Por isso, minha gente, embora a minha presença nos locais virtuais normais diminua (Forum DF, Prédio ao lado, blogs do pessoal, mIRC, MSN), eu tou sempre cá!... e a rede de telemóveis tb funciona em Vila Real ;)


Beijos, é VET QUEM MANDA AQUI!!!! ;)

domingo, setembro 18, 2005

Eu estou... sem palavras...


Bem, fiquei em Vila Real... em Medicina Veterinária... Não fazem ideia o alívio que é estar colocada... :)
Agora, do resto do pessoal: o meu Joaquim ficou em Química em Coimbra, o Jorge entrou em Medicina no Porto, a Sofiazita entrou em Lisboa em Anatomia Patológica Citológica e Tanatológica, o Ph e o Té vão para Engenharia Biológica em Braga, a Ju entrou em Dentária... o Veloso ficou em Vila Real como eu... e vamos cá todos andando...

Boa sorte para eles todos... :)

terça-feira, setembro 06, 2005

Fácil de entender

Fácil de entender
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Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei.
Meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós...
sei lá eu o que queres dizer.
Despedir-me de ti, "Adeus, um dia, voltarei a ser feliz."

Eu já não sei se sei
o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei,
pensei que se falasse era fácil de entender.

Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Triste é o virar de costas,
o último adeus sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim,
tratar de mim,
olhar para mim...
escutar quem sou
e se ao menos tudo fosse igual a ti...

Eu já não sei se sei
o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei,
pensei que se falasse era fácil de entender.

É o amor
que chega ao fim.
Um final assim, assim é mais fácil de entender...

Eu já não sei se sei
o que é sentir o teu amor
não sei o que é sentir.
Se por falar, falei,
pensei que se falasse era fácil de entender.
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(The Gift)
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Agora que o Verão começa a fraquejar (que bom ouvir a chuva hoje de tarde...), apetece parar, para pensar no que vem aí. Espero que o meu palpite se concretize, que as coisas sejam sempre "fáceis de entender", que a distância só ajude a fortificar, que o tempo não apague o passado.
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Por agora, que ainda estou de férias, entretenho-me com as minhas memórias... tenho vasculhado fotos, bilhetes de comboio, talões de lojas, livros e cadernos da primária, livros antigos do meu pai... Se isto não é já a loucura, estou bem lá perto...
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Beijo,
Nandita

quinta-feira, setembro 01, 2005

Next town... Viseu


Este fim de semana vou de férias...

Vou dar uma escapadela a Viseu, ver o meu irmão, a cidade que é já "sua", e passear pela Feira de São Mateus, com dois dos meus melhores amigos (são uns tipos impecáveis, vão-me aturar três dias :P ), e com os que não podem ir no coração...

E sábado, para pôr a cereja em cima do bolo, The Gift ao vivo! Espero que seja desta (da última vez que os tentei ver os bilhetes esgotaram antes de eu reservar...)

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Beijos beijos beijos... divirtam-se tanto como eu (ou mais!) :) ...
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.Foi lindo lindo lindo... A minha espécie de memória fica aqui : http://www.thegift.pt/forum/viewtopic.php?t=285&start=10
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domingo, agosto 28, 2005

Hoje é dia de festa...


Embora eu não seja destas coisas (mas atendendo ao facto de o meu blog ser, acima de tudo, o "meu" espaço), entreguei-me a um certo narcisismo e... resolvi parabenizar-me...


Parabéns Nandita!!!!!!!
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Pronto, agora façam de conta que isto não está aqui e vamos seguir com a nossa vidinha... ;)

sexta-feira, agosto 19, 2005

To be continued...

Não sei porquê, mas não consigo encontrar um fim para esta história. Se calhar não merece um fim, ou não precisa... mas poderão vocês ajudar-me a encontrá-lo?

A longa serpente de alcatrão havia reluzido durante todo o dia debaixo de um sol abrasador. Agora, enquanto ele a calcorreava, o calor libertava-se do chão, como se caminhasse em cima de brasas.
Embora a noite estivesse abafada, aqueles vapores quentes eram uma companhia bem-vinda, uma espécie de conforto, enquanto caminhava no meio do nada.

A história deste homem que vemos é, em tudo, muito simples. Dispensa os floreados de um romance de amor, todo o mistério que rodeia um policial: é a história de um homem, e da sua vida.
Aparenta ser jovem, embora se reconheçam no rosto as marcas de um estranho cansaço. As manchas brancas entre o cabelo notam-se ainda mais com o luar, que lhe ilumina o rosto contorcido. Alto, forte, caminha com ar decidido.
Sabemos que se chama António, e que vem calcorreando a estrada desde muito longe. Da mochila que lhe pende dos braços tira de vez em quando uma garrafa com uma aguardente envelhecida, e caminha depois com mais determinação.
Nas suas mãos notam-se manchas escuras, como se o alcatrão da estrada tivesse saltado de repente, para se cravar nos seus membros. Ao luar, percebe-se que é sangue a mancha seca e escura que lhe come as mãos, que ele não tentou sequer esconder ou limpar.
A história simples deste homem começou com este sangue. O que estava para trás? Não interessa, são traços iguais de histórias iguais a todas as outras. Nascimento, crescimento, procriação, por tudo isso passara António, como qualquer outro animal. No seu ciclo terreno faltava só a morte, a dele, porque a morte às suas mãos, essa, já tinha chegado.

António matou um homem por puro tédio (eu não dizia que esta era uma história simples?), quando caminhava pelo bairro mais pobre da cidade. Saiu de uma das muitas casas de putas da zona, com a sua mochila negra cheia de pequenas garrafas, e preparava-se para regressar aos braços fiéis da mulher, quando achou que faltava alguma coisa.
Pela rua andavam ainda algumas meninas, de grossos lábios vermelhos, prontas a dar, a dar-se, em troca da nota do costume. Mas António conhecia-as todas, de todas as noites em que se perdera, gemendo de prazer entre os seus gritinhos bem ensaiados. Definitivamente, faltava alguma coisa! Faltava diversão! Diversão genuína…
Num canto sem luz, abrigado por duas ou três caixas de cartão, estava um homem sentado. A seus pés, um cão tão rafeiro como ele fazia as vezes de guarda real. O quadro patético daquela dignidade patética oferecia-se a António como a diversão suprema.
Da mochila, sacou uma das suas garrafinhas, que escaqueirou na parede. O homem sentado nem pestanejou. António aproximou-se dele e foi desferindo golpes, um, dois, três, na cabeça, no peito, no abdómen… Mas a diversão não chegou. Falhou algo, e António não percebia porque é que o velho mendigo não havia lutado. Estragou-lhe os planos, até na morte manteve a sua dignidade patética.
Humilhado pelo orgulho daquele homem, António afastou-se. As putas e os bêbados em volta eram cegos, imunes a tudo o que se passava na rua, para além do sexo e do dinheiro, e davam-lhe até passagem, continuavam a oferecer-se, sem ver o sangue nem o olhar daquele homem que fracassara.
António continua a caminhar pela longa serpente de alcatrão. Sabe que pode escapar, quem procura um assassino de mendigos? Mas no seu intimo não sabe sequer o que prefere… o que poderá diverti-lo? Que sensações pode buscar para alcançar o prazer? Se o instinto mais primário falhou, e o sexo não o satisfaz, se nem a morte nas suas mãos o excita, para onde pode ir?
A longa estrada vai adiando a resposta…


Podes dar-ma tu?

quarta-feira, agosto 10, 2005

Letargia

aFoto roubada gentilmente ao 5urt da comunidade de Viana do Castelo no Deviantart.com
a
a
a
O tempo de férias trouxe-me esta apatia… Pode ser do calor, mas acho que ando com preguiça de existir. Ando meia perdida, às voltas pela casa...
Talvez o Outono faça milagres, e o frio me desperte...
a
a
a
a

segunda-feira, julho 25, 2005

Who are u?



Ever since I saw you
I want to hold you
Like you were the one

It sees right through me
A bullet it comes and takes me
And I love you I love you
I want you but I fear you

Who are u ?
who are u?

Ever since I saw you
I want to hold you
Like you were the one

You feet rest on my shoes
I sing this song for you
Just to see you smile

And I love you I love you
I love you but I fear you

Who are u?
who are u?

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

And I love you I love you
I want you but I fear you

Who are u?
who are you?(x4)

For how long
How strong do I still have to be?
How come you mean so much to me?

For how long
How strong do I still have to be?
vvvvvvv
Foi hoje o lançamento nas rádios do novo single do David Fonseca. Confesso que tinha saudades de material novo daquele que eu acho um dos cantores mais "respeitáveis" do nosso país. Pela beleza das letras, pela voz que adoro, pela própria atitude em público, por não dar muita confiança à "Imprensa cor-de-rosa"...
cccccc
Acho a canção muito simples, mas muito bonita... o tipo de som que nos deixa a pensar em milhentas coisas, conforme o estado de espírito. Vi pouco do videoclip, mas achei graça às partes em que ele vai rodando pela estrada, à procura sabe-se lá de quê!
cccc
Bem, deixem as vossas opiniões: sobre o single, sobre o próprio David Fonseca, sobre o videoclip. Façam de conta que estão em casa!
ccccc
Beijo, Nandita

sexta-feira, julho 15, 2005

Exames 2005

Pois é, lá saíram os resultados... Não se pode dizer que tenham sido maus, mas também não foram por aí além (sim, falo da Química...)

Fica a lista:

Português - 178 - 19 final
Biologia - 167 - 18 final
Química - 138 - 16 final
Psicologia - 192 - 18 final


Agora é estudar para Matemática... e depois concorrer e rezar ;)

Boas férias

Nandita


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Agora que fiz o exame de Matemática, e estou DE FÉRIAS!!!, deixo a previsão... algures entre o 10 e o 13... nada mau, ao medo que eu tinha eh eh eh ...

domingo, junho 26, 2005

My dog



Hoje apetece-me apresentar o meu cão à sociedade... introduzi-lo na "vida pública". Por isso, quando o apanhei na relva a olhar para mim com aquele olhar de eterna gratidão (comum na espécie, mas especialmente acentuado no meu Dinky), resolvi ir buscar a máquina e imortalizar o bicho.
Embora seja rafeiro, algures arraçado de um setter (corrijam-me se eu estiver enganada), é um animal com um percurso seguramente dificil. Foi encontrado por um primo meu, e adoptado por mim e pelo meu pai, semanas antes da Páscoa.
Tem um medo terrivel de barulhos fortes (chiadeira de pneus, buzinas), o que me faz pensar que foi atropelado em cachorrinho. Mas é fantástico, adora deitar-se no meio dos regatos e depois dar uma volta no meio da poeira, para ficar com uma camada de terra bem espessa lololol
Well, its my dog... é uma companhia fantástica!


Boas férias!

segunda-feira, junho 13, 2005

Eugénio de Andrade

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Faleceu esta madrugada aos 82 anos... o poeta de uma limpidez fantástica!

Ficam as palavras, garantia de imortalidade de um homem que viveu para elas...

sábado, junho 04, 2005

Bom tempo... para estudar!

Este post, de natureza "light"... marca uma viragem na vida da Nandita.
Isto porque cheguei às mil visitas (paguei bem, mas compensa ver o número ali em baixo, não acham? :) dá sempre aquele ar...)

Por outro lado, porque dentro de uma semana estou em vacances. As férias mais hard-worked da minha vida, porque há que começar a estudar para os exames, depois há que fazê-los... sem falar no sofrimento de esperar por notas e colocações...

Férias dificeis, estas!

Depois, é o dizer adeus (ou, em caso de haver azar...não!) à escola... aos colegas. Vai custar deixar de ver todos os dias as mesmas caras, amigos de sempre, outros que foram "descobertos" há pouco tempo, mas que são pessoas excelentes... Outros há que sei que vou manter a relação circunstancial que tinha até aqui ("ola, boa tarde, tudo bem, muito trabalho?").
É pena que no meio de tudo isto tenha havido desencontros, decepções, separações... as pessoas são de facto imprevisiveis! Mas bola para a frente e toca a construir a nossa vida, ninguém o vai fazer por nós, não é?


Bem, e de post light me despeço... até ao fim dos exames, ou com sorte mais cedo! ;)

Naaaaaaanddiiiiiiiiiiiitaaaaa :p

sexta-feira, maio 13, 2005

Coisas minhas

Pois, aqui a Nandita quando tinha mais tempo, tinha também mais tempo para escrever... por isso hoje, numa semana claramente pouco inspirada (a única coisa que escrevi foram páginas e páginas de exercícios de Matemática e Química, por isso...), fui aos meus canhenhos desencantar... isto!

O único texto meu que publiquei num jornal regional (A Aurora do Lima, de Viana do Castelo)... ando com saudades do tempo em que eu tinha tempo...
Cá vai:


TARDE DE MAIS


Não consigo! Não consigo sentir sequer um pouquinho de raiva por ti, uma minúscula gota que seja... Nem ódio sequer, ou desejo de vingança...
Nada! Aí está o que sinto por ti... Uma suave indiferença, só. Como pode ser? Como é que de uma vida inteira não resta nada, porque é que não fica um laço, uma ligação, por muito ténue que seja?
Para nós os anos passaram depressa de mais... Foram apenas contados, calendarizados: não os vivemos, no fim de contas.
Prendeste-te a um emprego inútil, diria até que casaste com os papéis, não comigo! Era no meio de papéis que passavas a noite, os fins-de-semana deixavam-te extenuado de tanto trabalho e as férias, essas, não faziam parte do vocabulário da nossa família... Dedicaste mais tempo a esses clientes do que a mim, e a paga disso é apenas solidão, sabes bem. Eles não te farão companhia, nem tão pouco chorarão a tua morte! E eu, posta de parte desde o início, farei como eles...
Os anos foram passando, e, enquanto que tu vivias quase exclusivamente para o trabalho, eu acabei por me dedicar aos nossos filhos... Sim, aquelas crianças que viviam lá em casa, os jovens a quem pagavas a mesada, são nossos filhos! São dois jovens que cresceram com a consciência de que o pai não os conhecia, mesmo estando sempre por perto... satisfazendo os seus desejos materiais. Custa-te perceber que o que eles queriam era apenas amor?
E a mim? Conheces-me? Sabes que fui tua mulher, que sou a mãe dos teus filhos? Escusas de responder... Sei bem que não...
Eu vivi sozinha tanto tempo que, nestes quatro meses, acabei por não notar diferenças palpáveis... só uma: deixei de ser tua empregada, já não lavo a tua roupa, nem preparo jantares para os teus amigos, que nunca conheci, já não preciso de ouvir as tuas desculpas, cada vez mais constantes, de cada vez que nem dormias em casa...
Posso pensar em mim, agora! E pensar por mim, também.... Vou reconstruir a minha vida, junto com os meus filhos, e esquecer que alguma vez te conheci!
Sei bem que não posso fingir que tenho vinte anos de novo... Roubaste-me esses anos, que podiam ter sido maravilhosos, e transformaste-os na época mais monótona da minha vida! Mas sei também que basta eu querer para que tudo funcione na perfeição. Terei um emprego, a fazer algo de que gosto e que não me sugue a vida, um bocadinho a cada dia... E vou amar a vida, como nunca amei!
Restam-me as pessoas... as que sempre estiveram do meu lado. Não tu, nem os teus, que apenas deixaram páginas em branco, com breves anotações, à margem, dos que me querem bem. Dos que me avisaram, vezes sem conta...
Mas ainda não é tarde de mais! O Sol nasce agora de novo para mim, e tu, qual vampiro que me deixou quase sem forças, somes-te de novo para a escuridão... para a sombra vazia que é a tua vida.
Acho que menti. Não é nada o que sinto por ti, há aqui qualquer coisa dentro, ainda. Foi o que restou: a pena! Tenho pena de te ver desperdiçar a tua vida! E possivelmente nem tens consciência do que estás a fazer a ti mesmo...
Abre os olhos, por favor, e olha à tua volta! Nem tudo está catalogado e apreçado... nem tudo tem um prazo tão curto como o teu serviço. Repara no que tens, e no que podias ter... podias ter o amor e o respeito dos teus filhos, podias-me ter a mim. Sabes porque não nos tens? Porque não nos podes comprar. Tudo o que realmente interessa não se compra, conquista-se! E tu puseste as tuas armas no chão há muito, muito tempo!
Tenta, a partir de agora, viver a sério! Talvez não seja tarde demais... ainda deve haver um resto de vida no teu coração de pedra e aço... podes ainda conseguir reconstruir-te, reconstruir uma vida, ao lado de alguém que ame esse teu novo “eu”.
Não penses que te esqueci. Continuarás no meu coração, no recanto escondido onde se guarda um lado do passado: o lado daquilo que podia ter sido bom, mas de que saímos magoados demais para tentar de novo.
Tenho pena de ti, tenho mesmo. E medo de que não te encontres, e a tua vida se desmorone... que vás até um ponto de onde não haja volta. Estás sozinho, espero que o saibas, e, como dizia o filósofo, sem desculpas. Não deixes a vida que te resta esvair-se nas tuas mãos. Quando estiveres de mãos vazias, não há retorno possível, apenas te resta o arrependimento e o remorso... E eles serão a tua morte!
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Bem, pondo de parte os dramatismos e tal, só falta um mês para o fim das aulas, vêm aí os exames... depois dois meses de férias "em pulgas" para saber do futuro... ano fenomenal, este!
Beijos, beijos,
Nandita

domingo, maio 01, 2005

Novas bandas

Pois é, ontem (dia 30) houve um concerto na nossa escola. Organizado pela AE, contava com a participação de duas bandas, das quais alguns elementos são ex-alunos e alunos da escola.
Para começar, o tempo... mal as coisas estavam prontas, começou a cair uma chuva miudinha, pouco mais que molha-tolos... se a assistência já estava reduzida, imaginem a chover!

A primeira banda a entrar em palco foi Territorial Act. Têm uma clara influência de Nirvana, no som, no tom rouco adoptado pelo Daniel, vocalista. Acabaram por fazer duas covers deles ( "Come as you are" e "Lithium"), com as quais delirei eh eh eh Houve ainda tempo para estourar dois ou três microfones, e atirar um ao chão, tal era a loucura do baixo... estiveram muito bem!

Depois entraram Les Triple. São dois irmãos, e têm um estilo alternativo muito interessante. Tive pena que o som não estivesse nos seus melhores dias... mas eles oscilavam entre algo muito parecido com o "spoken-word" e uma coisa quase blues... não consigo entender em que raio de género se encaixam, mas curtia ir vê-los de novo. São uma banda a descobrir.

E foi isso, mal deu a meia-noite aproveitámos para cantar os parabéns ao Jorge (o "génio" faz anos hoje ;) ), acabando por tornar o concerto uma celebração particular do Secundário :)

Arrumar as tralhas e tal... foi à uma que nos metemos no carro (sete... um ao colo, outro atravessado no banco de trás!) e fomos distribuir o pessoal a casa. Resumindo: fora a condução louca do Joaquim, correu tudo bem.

Beijo, esta semana vai ser de estudo intensivo.
Nandita

terça-feira, abril 26, 2005

Outra vez... teatro!

A Companhia de Teatro do Noroeste apresenta a peça Sónia, Menina Assassinada aos 15 anos, ou Valsa nº 6 de Nelson Rodrigues.SinopseSónia, Menina Assassinada aos 15 anos é uma obra de um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, Nelson Rodrigues, que coloca em cena uma adolescente já morta falando dos seus fantasmas e receios enquanto que obsessivamente vai executando a Valsa nº 6 de Chopin.genial, louco e revolucionário, estes são alguns dos adjectivos com que Nelson Rodrigues (1912-1980), um homem polêmico que inovou o teatro brasileiro, tem sido descrito. Tratando de paixões exacerbadas e gestos exagerados, obsessões, taras, incestos e conflitos, Nelson Rodrigues pode ser considerado o primeiro dramaturgo brasileiro a levar o inconsciente das personagens para o palco.Ficha TécnicaFigurino: Liliana Barbosa. Direcção Musical: José PrataInterpretação: Elisabete PintoEncenação: Castro Guedes.

em: http://www.viana.com.pt

Amanhã vou ao teatro... ando com saudades daquelas coisas...
Depois conto como foi.

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Um "acrescento" ao post para vos dizer que a peça é maravilhosa. Com uma interpretação magnifica da Elisabete Pinto, que se desdobra por todo o palco (todo vestido de vermelho, apenas com um piano branco no canto e um jogo de luzes estupendo) entre a sua própria personagem ("Sónia! Quem é Sónia?") e a sua mão, o seu pai, o assassino, as vizinhas...

Adorei, tal como todo o pessoal do Cénico que foi assistir. Pena a actriz estar cansada demais para receber os nossos Parabéns, tinha feito dois espectáculos nesse dia e notava-se, quando por fim fez a vénia e agradeceu, que o cansaço pesava...

Até sábado, ainda vão a tempo!

Nandita

domingo, abril 17, 2005

"Funerais" pelo GCB



Pois é... lá estreámos a nossa peça, uma comédia intitulada de "Funerais"...
Correu muito bem, embora para mim e para os meu primos tenha sido uma estreia "absoluta" num teatro mais a sério... mas esteve tudo impecável...
A casa encheu, quer dizer, abarrotou... mal havia lugar para as pessoas, que tiveram de ficar de pé, encostadas à parede... confusão para nós, que circulámos por todo o salão nas cenas do início... mas foi muito bom!
O meu "prólogo" esteve com alguns problemas técnicos, dos quais eu nem me apercebi, mas parece que o microfone só funcionou a partir de certa altura... depois a parte do funeral também correu muito bem, a Nandinha (não a Nandita) é uma verdadeira artista... e, juntamente com os ajudantes de cangalheiro, tratou de improvisar umas coisas. Funcionou bem... :)
As cenas entre o Amaro e o Filipe estiveram bem... acho que só a entrada do Filipe pôs o público a rir! Isto sem falar nos cangalheiros, que foram geniais ("isto não é uma rua, é uma praça, como já foi dito!")... e os ajudantes maravilhosos (Tiago e Ricardo, vocês são uns heróis...) embora tenham destruido lá uns adereços e tal...
O Tone, embora se tenha esquecido que era hora de entrar, também ficou muito bem... bem escarrapachado na cadeira de rodas, sem se poder mexer... foi a vingança do elenco eheheheh

No final, "festa" para todo o pessoal... elenco mais toda a gente que por lá andou e ajudou a montar o espectáculo. Foi a nossa estreia "especial" no teatro!
Agora resta esperar por convites, para actuações fora de Barroselas... e lá vamos nós!
Fiquem bem!

Na imagem(da esquerda para a direita):
Sérgio Faneca, Tiago, Carlos Bichano, Nandita, Ricardo, Tone (na cadeira), Amaro, Sandra, Raquel, Luísa, Nandinha e Filipe.

domingo, abril 03, 2005

Frésias - ou como chegou a Primavera

Diz-se das frésias que são as flores preferidas de Eugénio de Andrade. Há dois anos levámos-lhe um ramo delas, esperando com isso as suas melhoras rápidas…

Das frésias sei que são as mais belas flores que conheço. Delicadas, discretas, simples no seu aspecto e totalmente inebriantes no seu odor... não sabem o que é a felicidade se nunca sentiram o odor a frésias que se espalha por todo o jardim nas tardes mais quentes de Primavera.

Não sei o que vai acontecer na minha vida, mas sei que, ao menos por uma vez depois desta, gostaria de ter frésias na minha campa: uma lembrança aromática do que espero que a minha vida tenha sido: simples, mas que tenha deixado uma marca "inebriante"... para alguém, para algum lugar, para alguma coisa...

Agora, que é tempo de construir, vou-me deliciando com o cheiro das primeiras frésias que abriram no meu jardim: já encontrei duas roxas e uma branca, belíssima! Hão-de nascer muitas mais, cuidadas pela minha mãe, "fada-madrinha" destes canteirinhos...


Os primeiros sinais da Primavera que chega, neste ano em que a chuva foi a grande dádiva da estação amena...