domingo, novembro 15, 2009

Fugas

...porque há sempre um momento de incerteza, um pânico que me sobe ao peito, o medo de que me arranques a máscara e todos descubram. Tenho-o escondido tão bem, que quase o escondo de mim, já. E só nestes instantes em que me arrisco é que me apercebo disso. De como tenho sido perfeita nesta tarefa. Mas ali, naqueles segundos, volta tudo. O meu gesto tenso, o passo apressado,a minha voz que se torna trémula e denunciadora, os meus olhos que fogem, que te fogem.

E são esses instantes que se prolongam, e se transformam em horas (às vezes dias). Revejo o passado como num velho livro bafiento, as boas recordações cristalizadas, as discussões e as acusações esborratadas, a perder o sentido. Mas bem marcadas, apesar de quase ilegíveis. Porque a tinta vermelha já perdeu a forma, mas manchou as outras páginas, passou por cima dos sorrisos e da quentura dos abraços...

Custa-me, agora como na primeira noite, uma noite morna de fim de Abril, manter a pose, não denunciar, não dar azo a perguntas a que não quero responder. E manter esta espécie de acordo tácito, mútuo desprezo para que se evite a guerra. Seja, pois, assim. Vai-se-me quebrando o coração aos pouquinhos, aos pouquinhos... mas talvez ninguém note, e é melhor assim. Mesmo evitando a guerra, eu não fiquei em paz. E duvido que tu o tenhas conseguido.

1 comentário:

Luis Carvalho disse...

Viva...
Já não passava por cá faz algum tempo.Que tal está a ser o regresso à UTAD?

"Regressarei" a Vila Real para o Natal de 20 de Dezembro a 3 de Janeiro. Se ainda andares pela bila/UTAD nessa altura de certo que tomaremos um café...

Friede

Luís