sábado, novembro 15, 2008

1,2,3... vai

Hoje é um dia em que eu me devia concentrar. Para ser sincera, é o primeiro dia de trabalho sério, árduo e metódico que devia ter em dois meses. É verdade, hoje passam dois meses desde a tarde em que saí de casa de malas na mão, para esta aventura. Arrepiei-me quando percebi isso, esta manhã. Que dois meses! Que dois meses, cheios de pessoas, de gestos, de novidades, cores, sabores e cheiros improváveis. Que dois meses, marcados hoje por esta decisão "Tens de te concentrar, Fernanda". Começou! Começou agora aqui aquilo que me começava a angustiar em Vila Real, as últimas épocas de exame estiveram muito longe da calma com que costumava levar todo esse processo. Espero por ansiedade, apertos no peito, insónias, seguidas de pesadelos em que não me recordo do nome dos parasitas que devia ter na ponta da lingua. E muito estudo de última hora, talvez ainda um nome rabiscado no braço, ou escrito num post-it amarelo e guardado no bolso de mais fácil acesso. Uma hora irritante de exame... à espera da sensação de alívio habitual, tenha corrido bem, mal ou assim-assim. O peso que eu sinto levantar-se durante o exame faz-me esquecer as consequências das respostas, o valor da unidade curricular, o que vocês queiram.
Fica prometido, a dois angustiantes dias do exame, que segunda-feira será um dia de alívio! Saia eu morta ou viva daquela sala, a primeira, depois do primeiro de muitos testes, o dia vai ser meu. E quem sabe todas as outras angústias que me têm perseguido se desvaneçam também... façam de conta que não estão lá, só por aquele fim de tarde. Para não me martelarem de memórias, de dúvidas, de perguntas parvas e arremedos de respostas ainda mais insignificantes. Tudo muda, mas afinal nada mudou. Afinal estou aqui, e continuo a mesma miúda que não sabe tomar conta de si, e precisa de alguém de confiança que a proteja. A diferença é que agora sei disfarçar, e perco mais do que ganho com isso. Ninguém abraça a menina que parece forte suficiente para decidir por si só, que não parece ter dúvidas, ou que se as teve, as esclareceu de modo exemplar. Não sou assim, afinal. Sou a mesma...
Não sei que rumo levo nestas palavras desorganizadas, um ramalhete de pequenos apontamentos sobre o estado da minha cabeça estes dias. Mas precisava de, por algum modo, as deixar em algum lado. Ficam aqui, porque não deixá-las na minha casa? Talvez se sintam acompanhadas pelas palavras de dias mais felizes, que ficaram para trás, e talvez se animem. Quem sabe segunda-feira as minhas palavras serão diferentes?
Um bom fim de semana.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Hoje lembrei-me do Variações

Porque hoje me fez sentido tudo isto. E porque percebo que há coisas "intraduziveis", por mais que eu o quisesse. É simples. É só isto. Quero só isto. Viver.



Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer
e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

(António Variações)



terça-feira, outubro 21, 2008

Saudades

Demasiado tempo livre dá nisto... e andar para um lado e para o outro a remexer fotos também... É só uma maneira de dizer que sinto a vossa falta, estejam nestas imagens ou não (porque há pessoas que odeiam tirar fotos). Ficaram os olhos vermelhos, os enquadramentos deficientes de quando eu tiro fotos. Ficou tudo, porque não me importava. Só queria deixar a vossa imagem. Com saudades. Mas com vontade de voltar cheia de histórias. Passou um mês.




domingo, outubro 05, 2008

Canção simples

Simples. Feliz. Nostálgica. Mágica. Minimalista. Genial. Com palavras belas, ditas e cantadas de forma bela. Hoje é domingo. Está frio e vento lá fora. Mas há palavras que ajudam, e aquecem. Em português. Para me trazer o sol de Portugal, e os risos da minha gente, desde lá longe. Para adormecer a saudade. Para vos ter aqui. Fazem-me muito mais que o sol.




há qualquer coisa de leve na tua mão

qualquer coisa que aquece o coração

ha qualquer coisa quente quando estás

qualquer coisa que prende e nos desfaz

quinta-feira, outubro 02, 2008

Aqui

O que mais me maravilha em mudar de pedacinho geográfico durante uns meses, tem sido este começo...

Aos tropeções, com muitas perguntas, sem sentido de orientação,vou começando a absorver os novos espaços, a conhecer as rotinas, a criar a minha própria rotina.

Dou por mim sentada entre cinco, seis nacionalidades diferentes, e percebo como é extraordinária esta experiência. Todos nós viemos de lugares tão diferentes, com passados de memórias incomparáveis, e conseguimos aqui criar algo em comum, um laço, pontes para o futuro.

Há dias, enquanto passeava na Avenida, percebi que já comecei a gostar deste sítio, e a senti-lo como meu. Tal como em Vila Real. Olho tudo com um ar de companheira, pisco o olho a esta cidade, faço ouvidos moucos aos sons desafinados, à pequenas notas fora de sítio. Porque passa por aí adoptar um lugar. Fazer dele nosso espaço, tomar como nossas as suas batalhas! Kosice não é Viena, como Brno não é Paris. Mas é o meu sítio. Por estes meses, é o meu sítio.

E enquanto o sol morno me entrar pela janela, nas manhãs como a de hoje, não tenho razões para me chatear com o meu sítio. Talvez quando a neve cair, e gelar os passeios, possamos ter uma pirraça... Mas não hoje, e não agora, que ainda estamos a começar.

Vou só aproveitar o sol. O meu novo sol.

quinta-feira, julho 10, 2008

São Leonardo da Galafura


À proa dum navio de penedos,

A navegar num doce mar de mosto,

Capitão no seu posto

De comando,

S. Leonardo vai sulcando

As ondasDa eternidade,

Sem pressa de chegar ao seu destino.

Ancorado e feliz no cais humano,

É num antecipado desengano

Que ruma em direcção ao cais divino.


Lá não terá socalcos

Nem vinhedos

Na menina dos olhos deslumbrados;

Doiros desaguados

Serão charcos de luz

Envelhecida;

Rasos, todos os montes

Deixarão prolongar os horizontes

Até onde se extinga a cor da vida.


Por isso, é devagar que se aproxima

Da bem-aventurança.

É lentamente que o rabelo avança

Debaixo dos seus pés de marinheiro.

E cada hora a mais que gasta no caminho

É um sorvo a mais de cheiro

A terra e a rosmaninho!


Miguel Torga



Estivemos la ontem... E caramba, que aquele sitio e de uma beleza extraordinaria... Espero voltar, ainda este mes, com amigos "estrangeiros"... Guardo as imagens, e a pena daquela ave enormissima que nos sobrevoava, e que me fez sentir ainda mais pequenina... nao bastasse ja a imensidao do Douro e das montanhas sulcadas a suor e sangue duriense.
Sim, Torga, tinhas razao...

quinta-feira, junho 12, 2008

Pressa

E por entre toda a calma aparente deste mundo, os meus dias têm-se tornado complexos e aflitivos.

Passei esta noite a sonhar com coisas terriveis, confesso... Como se estivesse a dormir, mas devesse estar em qualquer outro lado, a fazer algo muito importante. E a minha mente se virasse contra mim, conspirasse para me acordar. "Tu não podes dormir! Há algo mais importante!"

Ando sempre cheia de pressa, a correr de lado para lado e a perder ainda mais tempo, de forma ridicula e automatizada. E os acontecimentos a fugir-me das mãos, sem eu poder controlar nada.

Mas acordo e vejo que, afinal, tenho tempo. Os dias são grandes, agradáveis. Hoje terei tempo para tudo... Posso irritar-me com os compromissos em hora definida, como um emprego das nove às 5. E depois, hei-de poder divertir-me. E esquecer a angústia destes sonhos que me têm perseguido.

Sou só uma pessoa, não uma máquina. E o tempo vai chegar para tudo. O tempo vai ser o que eu mandar...

E vou poder descansar... e desligar aquela voz e aqueles pensamentos. Porque só quero descansar, e isso não pode ser pedir muito.

quarta-feira, maio 28, 2008

quarta-feira, maio 14, 2008

Proximidade, ou não?

É mais uma noite calma na cidade que sorteei na roda da fortuna. E hoje dou por mim a pensar nesta vida em pequenos quadradinhos que vivo. Já me habituei, e gosto, da aparente distância e autocontrolo que nos permite uma vida em apartamento. Mas às vezes dou por mim a estranhar a vida fechada num quadrado.
Da varanda consigo observar a vida de outras pessoas, a menos de dez metros de mim, saber a que horas jantam, qual a cor dos seus lençóis, até, quem sabe, o fulgor das suas vidas sexuais ou a desgraça das suas famílias.
E na verdade, estou tão longe… sei que se o vizinho casar, enviuvar, viajar, morrer, provavelmente eu não o saberei, e continuo a viver tão feliz como no dia anterior. E isso assusta-me. É asfixiante saber que posso estar a morrer, e ninguém vai dar por ela. Ou vão dar, mas uns dias depois, com a alma entregue ao Criador e o corpo a seguir o curso da Natureza.
Sou uma medricas, não sou? E egoísta, e até vaidosa, por não gostar da ideia de me encontrarem assim, apodrecida. Mas é a herança que trago de um local onde os vizinhos são parte da família, para o bem e para o mal. Onde os vizinhos são os primeiros a saber das grandes noticias, e os primeiros a perceber e a ajudar nas desgraças.
O fim da vida verdadeiramente comunitária desilude-me, e torna-me descrente em relação a este mundo onde temos muitos amigos, mas depois sofremos e morremos de forma higiénica, o mais afastado possível das outras pessoas. Não vão elas impressionar-se com tamanha falta de civilidade…
E hão-de dar pela nossa falta só quando folhearem o jornal, em mais uma manhã solarenga de domingo, e virem o nosso obituário. E então, muito senhores de si, dirão de sua justiça sobre nós, que nunca conheceram realmente e que não estamos lá para nos defender.
É a essência absolutamente asséptica da vida moderna. Viver e morrer sem fazer mossa...
O que é que vocês acham? Estamos mais próximos, hoje em dia, ou cada vez mais afastados de quem está ao nosso lado?

quinta-feira, abril 17, 2008

Em modo automático

Custa ver-te assim, sabes? Ver-te desistir das coisas, fraquejar... porque sei que não és assim, que há mais força aí dentro do que a que te deste ao trabalho de utilizar.
Não são as frases cheias de confiança que vais despejando que me sossegam, porque é no correr dos dias que vejo que elas são só... frases. Tretas, com tantas falhas como o coração humano.
É o pouquinho que vais morrendo, dia a dia, que eu vejo. E que não me deixa acreditar. Mas são escolhas, e cada um faz as suas. Boas ou más.
"Assim", dizes-me, "custa menos". Mas...
Há sempre um mas quando falas. Mas vives atormentado pelo passado. Mas na verdade estás ainda mais amargurado que antes. Mas na verdade não consegues deixar de achar que tens poder sobre coisas que já te escaparam há tanto tempo das mãos. Mas já não és tu que estás aí. E eu não conheço essa pessoa nova e fria que apareceu. Uma autêntica muralha.
Porque agora vives em modo automático. Senhor de tudo, mas ao mesmo tempo, sem nada.
Boa sorte.

Foi assim fantástico


quarta-feira, março 19, 2008

...aos dias indefinidos...

Brindemos aos dias indefinidos... Aqueles que nos levam o tempo quase sem contar. Que nos sobressaltam pelas voltas rápidas e pelas noites curtas, no repetir das coisas comuns.
Lembro-me agora com prazer destes dias. Quis tanto ver-me livre deles, e agora só queria correr atrás, reward, stop, play it again... porque é aqui que nos concentramos no moer dos dias, que vemos a beleza de tudo isto, tão simples, sempre igual, sempre tão... único!
Anseio pelo vosso regresso, dias indefinidos. Choro-vos sentada ao pé da vidraça, um livro aberto no regaço, talvez o gato adormecido aos pés... e a pesada culpa de este não ser um dia comum, e haver obrigações extraordinárias a cumprir...
Voltem. Deixem-me parar de pensar. Porque quanto maior é a velocidade do meu autómato de todos os dias, menos terei de reflectir. E eu não quero mais pensar... Desculpem, mas não quero.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Não há resoluções de ano novo

Só queria ser menos amarga, sabes? Ter crescido o que cresci sem esta dose de azedume nos olhos... Porque num ano vemos tudo a mudar à nossa volta, e quando reparamos, somos nós que estamos diferentes... é a nós que notam mudanças, cansaço, impaciência.
Não digo que seja mau, claro! Gosto do que aprendi, do que cresci. E se me esforçar, até aprecio o que sofri, sei que fez falta. Pelo menos evitou-me repetir uns quantos erros parvos, se sei bem que me magoei e andei a magoar as outras pessoas. Mas porra, tornei-me tão descrente de tudo... Pareço o Velho do Restelo, abano a cabeça e rejeito a novidade, porque desconfio sempre. Não me arrependo de mais um ano, sabe-me bem o que está para trás e dá-me força para o que ainda me falta. Mas se eu fosse só um pouco menos eu...
É fim de ano, e estou a repetir as lamúrias de outros anos, a minha velha crendice em não crer em nenhuma resolução de ano novo, nenhum raio de promessa de ser melhor, mais magra, mais bem sucedida, mais desejada, mais rápida, menos trapalhona...
Este ano, só quero ser menos azeda, acabou-se... e isto eu prometo!
Um bom ano para vocês.

terça-feira, setembro 25, 2007

Verdes anos


É no embalo da guitarra que estas palavras se guiam. Na voz perfeita das cordas que nos prendem, mal ecoam nas mãos mágicas de quem as rege.
Na guitarra-cantora que é uma história inteira.
Calma, mas firme, entra a nostalgia. O som dolente e compassado, saudade da juventude que ainda nem se apagou. Tocam fundo, as saudades antecipadas. Vejo-me em rugas, sinto-te em tez morena do sol duro, restos da vida que já quase se foi... mas que ainda mal começou. E saber que amanhã não resta nada da frescura destes dias deixa-me com menos ânsia de os viver.
A música não acalma. Angustia, sugere, amedronta... e queda-se, como se terminasse, como se não nos mostrasse mais do amanhã... mas depois volta, outra vez jovial, compassada. A análise perfeita da vida, nas cordas a entrelaçar-se. Certa, regrada, mas capaz de surpreender... e quando pensamos que não há mais nada, e a guitarra perdeu a voz, esta ergue-se, e a vida é significante outra vez.
E segue o seu cantar, agora em cordas fortes, que desenham o seu caminho pelo ar, prendem-nos o coração. Presa entre fios, suspensa no ar, no sonho e na nostalgia. Teria eu melhor vida?
Deixo-me prender, agarro o som poderoso e ergo-me no ar, já fora de mim. Olhar-me de cima é deixar-me surpreender pelo modo como sigo o caminho cá em baixo. Porque sigo inocente do que está para lá da curva, sem saber como me vou magoar. Mas suspensa no ar não... vejo que a menina que ali vai há-de sofrer, e chorar. Mas só assim vai crescer.
E quando as cordas se emaranham de novo, e me confundem, e voltam à cadência inicial, soltam-me cá em baixo, menina inocente de novo. Com a diferença de ter a vaga impressão de que o caminho não vai ser fácil. Mas com a vontade de o percorrer restaurada...
Acabo por segui-lo, guiada pelo murmurar constante da guitarra, pelos sons que não me abandonam. E que me podem levar de novo pelo ar, e salvar-me de mim.




Já não escrevo há muito, e às tantas parece que me desabituei do exercício que me dá tanto prazer... em jeito de "Fisioterapia" fica o que me saiu nos últimos dias... E a quem me visita a promessa de voltar com mais forças, um dia destes...

terça-feira, julho 31, 2007

Regressos

"Quem és?" perguntou ela ao senti-lo respirar atrás de si, inseguro... A resposta foi um beijo nos cabelos, a medo... "Sou eu, não me reconheces?", e de tanto que era o tempo que já tinha passado, a pergunta hesitava, com medo da resposta... Mas ela procurou-o, as suas mãos, estreitou-as na cintura, fechou-se no seu abraço.

"Tinha medo que não viesses, estiveste tanto tempo longe que pensei que me esquecesses..." e sorria, ao ver que se tinha enganado. Voltou-se e beijou-o na testa "Bem-vindo de volta" Ele estava ali, sujo, afogueado, acabado de chegar sabe Deus de onde, e vinha procurá-la.

O tempo tinha passado por ele, notava-se-lhe no olhar e nos cabelos com toques de branco, a barba crescida, a voz mais funda, marcada de vivências que ela nem queria adivinhar. Mas o sorriso mantinha-se inalterado, verdadeiro e feliz.

"Passei tantos anos com a tua imagem na minha cabeça... continuas linda! Desculpa..." mas ela calou-o, a saudade rebentava-lhe do peito, não precisava de desculpas, só o queria ali, pertinho, protector.

Levou-o pela mão, entraram na casa que ele já conhecera, mas que o tempo moldara e reconstruíra, percorreram todas as divisões, os passos dele a medo, porque tudo era novo,afinal.

Era um regresso de silêncio, não feito de ressentimentos nem de culpa, mas de paz, um regresso definitivo.

Pararam na entrada do quarto, o quarto que fora sempre o dela, mas ao qual ele conhecia cada recanto, e cada odor. Cheirava a jasmim, como o corpo macio dela. Passassem mil anos, e ele continuaria com o seu cheiro marcado a fogo, e reconhecê-lo-ia entre outros mil...

Acudiram ao chamamento daqueles lençóis meios desfeitos que ela abandonara minutos antes. "Não conseguia dormir" justificou-se ela, "sabia que andavas por perto, só podias ser tu"

E a cama acolheu-os aos dois, que se tornavam um só... porque os regressos não pedem justificações, não desenham culpas nem acordam remorsos... os regressos são feitos de entrega.

E entrega será, por entre as dobras dos lençóis mornos, até à madrugada...





sábado, junho 09, 2007

Será que...

...me é permitido postar um grande





FODA-SE







num blog que se quer de brandos costumes?




(e depois deste pequeno desabafo, vamos todos fazer coisas... e deixar passar os dias, e deixar correr a vida, estamos combinados? Vá, façam de conta que eu não estive aqui... E divirtam-se! )

quinta-feira, maio 03, 2007

Ficar sempre contigo


“Há qualquer coisa no momento em que duas pessoas desenlaçam um abraço forte. O sentimento de que continuamos ligados, protegidos. De que o abraço se prolonga para lá do contacto dos corpos, da pressão quente no nosso peito, dos braços que se estreitam. Poder ir embora e sentir que levamos o outro connosco, e que ele nos protege, nos enlaça ainda.”

Era o que ela pensava, enquanto se abraçavam, sentados no auditório semi-escurecido que era o carro, com mil pontos de luz à sua frente, no quadro encantado e nocturno das cidades adormecidas.

Estavam em silêncio, mas era um silêncio com forma, palpável e confortável, a voz das coisas que gostamos e nos gostam. O que não diziam entendia-se nos gestos e no olhar, na calma de um roçar de cabelos e de um beijo na testa.

O abraço desfez-se, mas ficou. Ela sentiu que tinha razão, que continuava protegida. Estava certa.

E desfez-se o silêncio. Murmuraram-se “quero-te” ao mesmo tempo e ficaram a olhar a lua, quase cheia por entre a folhagem nocturna, parceira fiel e silenciosa, lá no alto. Sorriam e ela respondia de volta, encantada com a perfeição das coisas simples.

E falaram. Das trivialidades, dos medos, dos desejos. Falaram da alma, e a lua testemunhou. Falaram de tudo e de nada, e acompanharam-se, com a força de uma mão quente aberta sobre o peito. Estão juntos, aconteça o que acontecer. Porque se querem.

E isso basta.

sexta-feira, abril 27, 2007

...mais 5 blogs que fazem pensar


Inesperadamente, a menina Catarina, da Ville de Lumière, lembrou-se que o meu blog a fazia pensar eh eh eh e a nomeação dela implica que eu escolha mais cinco. Aí vão:


Roads que já via uma actualização, porque este puto é genial, mas que tem estado parado. Pela insanidade contagiante, e pela lucidez incrivel. (moço, actualiza-me isso...)

Impressão digital o blog da Ana João, que pinta em tons quentes e frios de maravilha pequenos instantes do quotidiano.


Bruno Nogueira a minha nomeação silenciosa, que o senhor Bruno Nogueira tem mais o que fazer, mas que fica, a render homenagem ao humor inteligente.


Ghost pela leveza da poesia, nas palavras e nos sentimentos belos. Diz que o miúdo tem talento...


Noiseformind Definitivamente, para pensar. O psi mais louco que já tive oportunidade de ouvir ;) e (não) conhecer loool


Ficam estes. Há outros cantinhos de interesse incrível para visitar (confiram na coluna à esquerda ;) ), mas passo a batata a estes. Meninos, divirtam-se...

sábado, abril 14, 2007

Sol

Vamos fugir para o sol, meu amor...
Deixar seguir os nossos pés descalços no cheiro quente do cimento, da terra, da relva... em passos pequenos, cadenciados a cada beijo nosso.
E ir despindo o que nos pesa, na igualdade feliz de quem vê com olhos de luz. Um caminho em peças de roupa esquecidas, o trilho pessoal do desejo!
A cama verde e sussurante que nos espera, os teus braços que me pousam, e sempre o toque dos teus lábios, a minha pele a arrepiar-se a cada beijo teu...
No calor novo do Verão a despontar, com os odores da terra como nosso próprio cheiro, sermos unos e primordiais.
E ver o Sol invejar-nos, e cravar em nós os raios mais fortes, enquanto nos amamos entre flores... Amares-me entre frésias, como entre pétalas de rosas...

Os nossos suspiros são canto de pássaros, zumbido de abelhas, no fervilhar do Mundo que quisemos parar, mas continua a girar sem querer saber de nós.

Esquecidos como no jardim do Paraíso, na inocência de quem se quer.

E depois adormecermos, morrer ali... Juntos os dois, e felizes entre flores...
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(...porque hoje me surpreendeu a luz do meu jardim, não sabia que os dias estavam tão bonitos, e a luz lembra o amor...)

sábado, março 31, 2007

Desculpem lá...


...mas este moço tem qualquer coisa :)

"Think Beck via Queen and Elton John and a touch of Rufus W. Would love to blab about Harry Nillson but I fear no one will know what I'm talking about... but if you do, you'll know what I mean."